segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
As vezes, eu penso em fugir. Sair de madrugada, com meus duzentos reais que juntei por um ano e comprar passagem de ônibus para qualquer lugar distânte. Ver o sol nascer da janela, dormir na rua quando chegar. Um moço me indicaria a pousada mais perto. Eu choraria, andando debaixo do sol, levando meu corpo pesado para qualquer lugar. E então eu passaria o resto do dia deitada em uma cama suja, sem roupa, tentando dormir. Em algum momento, eu resolvo sair. Compro cigarro e fósforo. Compro chocolate. Fumo, como, e fico enjoada. Deito em frente a qualquer bar que toque uma música que me acalme. Um segurança me tira de lá. Fumo um pouco mais. Penso em tudo que deixei pra trás. Penso em ligar para alguma amiga, mas seria cedo. Penso em ir até a lan house para falar com você, mas o dinheiro é pouco. Penso em comecar a fumar maconha. Mas aí eu lembro que sempre que posso, eu fumo. O problema é nunca ter quando eu quero. Resolvo conversar com o primeiro maconheiro que aparece na minha frente. Mas é claro que não daria certo, nunca dá. Penso em você, mais uma vez. Me pergunto porque só te amo de longe, e não entendo porque é que não gosto de conversar. Lamento não te ter comigo, e desejo te esquecer, mas sei que não consigo. Eu iria então até a farmácia mais próxima, compraria alguns dramins e qualquer droga que em exesso me traga algum barato. Compro cerveja. Volto para a pousada e me dou algumas substâncias químicas. Passo mal. Durmo. Acordo, seis da manhã. Espero, na cama, o dia chegr, e as pessoas aparecerem. Penso em me matar, mas prefiro deixar para fazer isso a noite. Desenho qualquer coisa. Rabisco, jogo fora, e escrevo. Canto para mim mesma, na ausencia de um rádio. Sinto fome. mais um cigarro. Café, leite, biscoito. Cigarro, cerveja. Deito na praça. O sol vai embora e me leva com ele. Acordo, na cama. Meus pulsos cortados, minha mente atordoada. Vou pra sala, e encontro a minha mãe. Uma da tarde, almoço pronto, vizita chegando. Visto qualquer roupa, confiro se meus duzentos reais ainda estão no lugar. Desodorante, cigarro, batom. E passo mais um dia longe de mim.
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