segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Um pouco de ti
O que é tudo isso, se não o encontro? Tudo é a junção de tudo e um pouco a mais. A sobra é o que falta aqui. O que vasa de você cairá nas minhas lousas e preencherá um estômago queimado, polvilhado em farinha degustada sem ligação. E você descerá por entre os grãos, dissolvendo todos em uma única e saciável dose brindada em todas as festas, rejeitada em todas as lágrimas e digerida em todas as noites. Você será o papel que une as minhas frases. E eu serei a pena que, mergulhada no amor. E ele, esbanjando sua cor, marcará minhas pegadas em você. O que são os poetas se não pedreiros que passam cimento entre as palavras? Você será o cimento e unirá todos os meus tijolos, restos pesados de uma destruição, em uma estrutura perdida, imóvel e erguida. Você será em mim apenas as gotas que desenham um delírio sem fim diante de meus olhos. Mas você é e sempre será a jarra cheia, da bebida doce, da droga, do remédio, da água. Será o encontro de toda a sujeira, de todas as palavras, de todos os sorrisos, de todas as lágrimas. Fará tudo uma coisa só e você será você e eu.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentários:
Postar um comentário