segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Posso brincar de eternidade agora
Hoje acredito que os suicidas são os que mais querem viver. Mas é só por hoje. De noite, desejarei não acordar. Desejarei não viver o amanhã. Pularei essa parte sem amor para só acordar quando for para te amar. Desejarei morrer durante esta parte sem vida. Ao menos nos sonhos posso sentir. Que ilusão a minha! Se morro, não sinto, não sonho. Mas também não sou o vazio. Simplesmente não sou. E quando a vida chegar, por favor, me acorde! Só por hoje finjo ser uma suicida querendo viver. Se ao menos você me deixasse te amar.. Não peço para que me ame, sei que não posso sentir o que sentes, então, que diferença faria? Se eu pudesse te amar, teria uma razão para viver. Para te amar, preciso de você aqui. Se não existe, como então poderia amar? Se não amo, como posso viver? Se não vivo, como posso existir? Se amo ou não, só eu posso sentir. Sei que amo, mas preciso encaixar este vazio em algum lugar. Escolhi você. Minto, sei que minto. Minto para mim ao dizer que amo, e minto mais ainda dizendo que não amo. Minto para os outros defendendo a vida, minto para a vida ao despreza-la. Quando aparece, mesmo que sem notar minha presença, posso te amar. E que culpa tenho eu de que não me deixas dar-te amor? Como posso ser tão egoísta de desejar que venha até mim só para que eu possa te amar? Sabe meu endereço, mas sua rota é outra. Acho que isso acontece com todo mundo.. Então deixarei meu orgulho de lado e me permitirei ser igual a todos. Mudarei minha rota para a que todos seguem. Morrerei. Se não for hoje, será amanhã. Depois de amanhã, eu viverei mais um pouco, eu prometo. Sei que preciso de todos os que guardo e compartilho um mínimo que seja de carinho. Mas preciso de mim também. Estou esgotada, não posso me ajudar, apenas você quem pode. Estou cansada disso, não sei se vivo ou se não vivo, não sei nem o que é que me cansa. Preciso de algo que tome a minha mente por completo, que preencha meu coração e que cuide do tempo por mim. O amor e a vida. Por horas caminham juntos, por vezes separados. Amores que nem o meu se tornam inimigos da vida. Mas eu não sou, meu amor por você que é. Ele que fica se escondendo de mim, quer acabar comigo. Logo eu que gostaria tanto de curar o que não me pertence, e sei que são maiores, com problemas maiores (muitas vezes sem culpa alguma), me feri. Tenho culpa disso, mas não sei escolher o que seguir. Me feri a ponto de não conseguir ir atrás de mim mesma. Gostaria de sentir a dor, de localiza-la, e de sentir a cura. Mas não consigo. Por isso agora quero dormir. Para não mais acordar.Só se for ao seu lado. Eu quero Viver. Eu quero viver para te amar. E quero morrer, com você, só depois de depois de amanhã. Viver, amar, morrer.
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